Ato virtual de 1º de Maio exibe em redes sociais mensagens gravadas de políticos e ex-presidentes

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Por Fernanda Calgaro e Pedro Henrique Gomes, G1 — Brasília

 

 

Atualizado há uma hora 

 

Em um ato virtual conjunto para celebrar o Dia do Trabalhador, as principais centrais sindicais exibiram nesta sexta-feira (1º) em redes sociais mensagens gravadas por ex-presidentes da República e políticos de vários partidos. 

Tradicionalmente, a data é marcada por eventos e shows que costumam reunir presencialmente grande público. Neste ano, porém, isso não foi possível em razão da necessidade de se evitar aglomerações e manter o distanciamento social, como forma de conter a disseminação do novo coronavírus

A transmissão nas redes sociais durou mais de seis horas e intercalou mensagens de políticos com apresentações de artistas e discursos de sindicalistas. 

O ato contou com a participação de vários músicos, como Leci Brandão, Odair José, Zélia Duncan e Roger Waters, ex-Pink Floyd. 

Batizado "1º de Maio solidário: um novo mundo é possível", o evento foi organizado de forma conjunta por Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Força Sindical, Intersindical, Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Pública Central do Servidor e União Geral dos Trabalhadores (UGT).

 

O tom dos discursos políticos foi de união para o enfrentamento à pandemia e de críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro

Em sua mensagem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que “não é hora de nos desunirmos”. 

“É hora de nos juntarmos porque temos que construir um futuro. E o futuro tem que ser construído a partir das condições do presente. São negativas, eu sei, mas são as que nós temos”, disse. 

Para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “a tragédia do coronavírus expôs à luz do sol uma verdade inquestionável: o que sustenta o capitalismo não é o capital. Somos nós, os trabalhadores”. 

“As grandes tragédias são também reveladoras do verdadeiro caráter das pessoas e das coisas. Não me refiro apenas ao deboche do presidente da República com a memória de mais de 5 mil brasileiros mortos pelo covid. A pandemia deixou o capitalismo nu”, declarou. 

A ex-presidente Dilma Rousseff também enviou vídeo em que afirmou que, “se o presidente [Bolsonaro] despreza a vida, e dá de ombros, dizendo ‘E daí?’, nossa busca determinada por mudanças mostrará a ele que o povo brasileiro vai impor sua vontade e retomar o caminho da justiça social e do desenvolvimento do país”. 

“Irresponsavelmente, Jair Bolsonaro desdenha da doença, zomba dos mortos e avilta a cadeira de presidente da República. No Palácio do Planalto, hoje está um líder político que não se envergonha de promover a desordem e a destruição da ordem democrática, apoiando protestos contra as instituições da República”, disse Dilma. 

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, afirmou que, nos últimos anos, "houve um ataque à Justica do Trabalho", com uma "reforma trabalhista absolutamente infeliz" e que agora "o mundo todo passará por uma discussão de uma sociedade mais fraterna". 

Em um vídeo gravado para o ato, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), apontou três eixos de uma agenda prioritária.

"Um deles é a temática do combate ao coronavírus. O segundo eixo envolve a necessidade de preservação e ampliação dos serviços públicos, como o SUS [Sistema Único de Saúde]. O terceiro é a defesa da economia brasileira”. 

Também enviaram mensagens os presidentes de alguns partidos políticos, como Gleisi Hoffmann (PT), Carlos Lupi (PDT), Paulo Pereira da Silva (Solidariedade), Luciana Santos (PCdoB) e José Luiz Penna (PV). 

Ex-presidenciáveis, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), o ex-ministro Fernando Haddad (PT) e a ex-ministra Marina Silva (Rede) também deram seu depoimento. 

“Desejo que este 1º de Maio, apesar de tanta aflição e angústia, ajude a levantar o nosso querido povo brasileiro e possamos ser capazes de organizar essa luta e reconquistar os nossos direitos”, disse Ciro Gomes. 

Na avaliação de Haddad, as conquistas dos trabalhadores foram atacadas nos últimos anos. “Nossa tarefa é resistir mais uma vez e impedir os retrocessos”, declarou. 

Para Marina Silva, este é o 1º de Maio "mais difícil do século”. 

“É fundamental que estejamos unidos em torno daquilo que é essencial: a defesa da vida, a proteção dos direitos e a defesa da democracia. (...) Que não se permita que qualquer governo com delírios autoritários queira retomar processo de ditadura”, afirmou. 

Foram exibidas ainda mensagens da ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB), do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e do líder do PSB na Câmara, deputado Alessandro Molon (RJ).

 

 

 

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