Em meio à crise políticas, ministro da Fazenda defende que só uma reforma fiscal criará bases para um ciclo duradouro de crescimento
SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou nesta sexta-feira, em evento promovido pela revista Carta Capital, que é preciso conciliar medidas de curto prazo para estabilizar a economia com ações de longo prazo para reforçar o compromisso do governo com a estabilidade fiscal e o combate à inflação. “Temos atuado com a urgência que a situação pede, mas também com serenidade”, afirmou.
Nesse contexto, Barbosa defendeu a reforma fiscal, para que a estabilização seja “duradoura”, e afirmou que o Ministério da Fazenda está estudando, com o Banco Central, novas medidas relacionadas ao crédito. “Conversamos com o BC, vemos necessidades de novas medidas e, se necessárias, vamos toma-las”, disse.
De acordo com o ministro, não há ainda uma decisão formada, mas sim várias ideias de assistência à liquidez com a utilização do compulsório. Ele ressaltou, no entanto, que isso deve ser feito com cuidado, porque simplesmente baixar o compulsório não assegura que os recursos chegarão “na ponta”.
Barbosa destacou que a redução das expectativas de crescimento afeta as projeções de arrecadação e obriga famílias, empresas e governo a ajustarem seus orçamentos. Isso acaba gerando uma pressão por liquidez e, por isso, o governo lançou em janeiro um pacote de ações para estimular o crédito, que pode liberar até R$ 83 bilhões. “Isso será feito sem injeção de dinheiro novo por parte da União, sem gasto para equalizar juros, sem custo adicional aos contribuintes”.
Crise política. Nos últimos dias, a política econômica do governo entrou em compasso de espera em meio ao agravante da crise política e à chegada do ex-presidente Lula ao Palácio do Planalto. Sem clima no Congresso – que se organiza para votar o impeachment da presidente -, a agenda econômica de votações foi paralisada, o que agrava a já profunda recessão econômica.
Barbosa admitiu que o Brasil vive um cenário conturbado, mas disse que a melhora na situação econômica ajudará a situação política, e vice-versa. “Hoje, as incertezas políticas atrasam a recuperação da economia. Temos desafios, independentemente de preferências, ideologias e escolhas. Temos de ser capazes de ter um diálogo civilizado. Um debate público onde todo mundo grita e ninguém ouve, não leva a lugar nenhum. Propostas extremas, para um lado e outro, não são sustentáveis e não vão resolver os problemas.”
Fonte: Estadão